Ondina de Odiana

Ondina de Odiana

Todos os dias existe espaço para sermos surpreendidos pela nossa própria sensibilidade. Tantas vezes ouvimos e vemos coisas que pensamos “estou a imaginar coisas“, mas na realidade era a nossa intuição a falar connosco.

Ultimamente têm chegado algumas pessoas a perguntar como desenvolver uma melhor escuta da sua intuição, a minha resposta é sempre tão simples, mas parece sempre tão complexa de colocar em prática. Seres honesto com o que escutas e vês e partilhares isso sem filtros é sempre o primeiro passo. Por isso aqui vai a minha partilha sobre a última viagem que fiz de férias.

Uma meditação numa noite de insónia

Cheguei a Vila Real de Santo António já tarde, cansado, mas com pouco sono porque dormi durante a viagem, fazendo com que tivesse algumas horas de insónias, algo nada habitual em mim. Como costumo fazer, sempre que as insónias batem, aproveito para meditar sobre algo até ir chegando o sono.

Naquela noite fui automaticamente levado a sentir o local onde estava, pois apesar deste ser um local que já conheço, existem sempre formas de desvendar mais detalhes. No começo só me era possível sentir uma divisão, um portal fechado no rio que trancava as margens Portuguesa e Espanhola. Como pode uma cidade viver tanto de turismo e estar energeticamente tão fechada?

Fui aprofundando esta barreira até chegar muito perto dela, no meio do rio, onde as águas doces e salgadas se misturam. Mas ao analisar este local surge uma entidade para me guiar a meditação e até para me guiar nos dias seguintes. Tronco de mulher, cabelos longos e verdes possível de se confundirem com algas e uma cauda de peixe.

É tão bonito ver como os nossos preconceitos funcionam. Ao ver a sua cauda tentei na minha mente inverter a posição das barbatanas, colocando-as numa posição “de sereia digna da Disney”, mas não, ela insistia em ter as barbatanas na vertical. Insistiu de tal forma que fez questão de me mostrar como se movia rápido no rio com elas.

Atenção, recordo que cheguei tarde e mal tinha ainda passeado pelas redondezas, tudo isto chegou assim, logo na primeira noite. Nos dias seguintes descobri as zonas de água envolventes onde se reconhecem conjuntos de plantas aquáticas que eram claramente os seus cabelos, como vi também peixes da zona com o mesmo tipo de cauda e cor de escamas que ela tinha. É por isso que temos que confiar e partilhar todas as nossas visões e sensação sem filtros de preconceito, para que simplesmente fluam livremente.

Uma mensagem das profundezas

Esta maravilhosa Ondina de Odiana (nome original do rio Guadiana) mostrou-me como estava a trabalhar para manter alguma harmonia local, num local que parecia ter nascido para criar divisão. Não me fez sentido pois para mim Vila Real de Santo António era uma “porta aberta” a Espanha, ao comércio, à troca de pessoas. Até temos um barco que sai de hora em hora levando e trazendo pessoas de ambas as margens.

Novamente, lá estava eu a presumir antes de viver o local. Descobri posteriormente que esta cidade é criada pouco depois do terramoto de 1755 para defesa da fronteira, substituindo Castro Marim como único ponto de defesa até à altura. Vila Real de Santo António era até então apenas um local de ninguém habitado por pescadores locais e com história de ocupação árabe e romana.

Ergueu-se uma cidade em menos de um ano, numa altura em que não existia uma real ameaça, por isso foi construida para mostrar “estamos aqui”. Que vibração e influência local poderia ter isto a não ser a firme decisão de dividir povos?

Com os dias a passar entendi que realmente as pessoas cruzam a margem, mas não se misturam. Há uma troca comercial, mas não há um real esforço para se relacionarem entre si.

Tentei com todas as ferramentas que tenho, levar um pouco da consciência desta linda Ondina às pessoas com quem me cruzei. Escrevo hoje para também partilhar a sua história e espalhar a mensagem. Com ela recordei o poder da intenção sobre o local que habitamos, o poder da subtileza da natureza e relembrei o peso da história sobre todos nós. Sendo que este peso não é algo estanque, é apenas terreno que temos para crescer e florescer todos os dias, ele não nos limita ele desafia-nos para irmos mais além.

Recorda também o poder das tuas heranças e os sinais de tudo o que te rodeia.

Expressão 2.0

Expressão 2.0

Recentemente algo mudou, não foi possível prever a mudança, simplesmente aconteceu. Um alinhamento cósmico? talvez.

Num impulso, enquanto falava com uma amiga, comprei uma paleta de eyeliner néon com cores que fazem qualquer pessoa chorar de alegria. Mas o que raio tem isto a ver com a informação normalmente no blog, sobre evolução espiritual e desenvolvimento pessoal? Tudo! Na realidade todas as pequenas escolhas no nosso quotidiano têm um impacto no nosso desenvolvimento pessoal, pois tudo somado vai moldando a realidade onde nos movimentamos.

Apesar deste ato, à distância, parecer ser apenas um impulso meio louco apenas, ele levantou imensas questões estruturais. Talvez a mais importante seja a minha própria expressão de género mas deixo essa para o final.

Ser observado

O jogo social de observar e ser observado é jogado todos os dias, mesmo sabendo que podemos “jogar discretamente”, sabemos que é uma escolha estarmos ou menos camuflados no padrão social. Nem estou a falar de “dar nas vistas” falo de sabermos que há momento em que queremos sair da norma outros onde preferimos passar sem sermos detetados.

Há dias em que emocionalmente preferes não ter destaque, há partes do corpo que preferes não evidenciar pois não estás 100% confortável com elas, existem vários motivos para escolher o “smart office chic” para ir trabalhar para lá do “isto fica-te bem”.

Escolhi pintar os olhos, aqueles que estão bem no meio da cara, aqueles para onde todos olhos quando falam contigo, aqueles que até o teu telefone segue quando ligas a câmara porque sabe que é a tua cara! Impossível tomar este salto de forma discreta e isso foi maravilhoso.

Apesar de algum nervoso miudinho, reparei que todos estavam a dar muito menos importância a esse facto do que o meu cérebro tinha antecipado. Quase que fui ver-me num reflexo qualquer para entender se tinha saído tudo sem eu dar conta!

Não vale a pena antecipar “o drama” (qualquer um) antes do momento presente estar a acontecer!

Disse André um dia no tempo

O resgate do poder

Este processo de assumir algo marcante, que não se esconde, “está na cara”, é um processo de resgate de poder pessoal incrível! Tens que replicar? Não da mesma forma que eu estou a fazer mas à tua própria conta e medida, sim!

Internamente houve um movimento de validação pessoal de que “eu posso”, de que não sou “menos” mas sou ainda mais do que já fui. Este poder pessoal todo sabe a liberdade de expressão, liberdade que se vai conquistando a cada experiência pessoal.

Expressão de género…

Pois é, grande questão esta que se levantou sobre a minha própria expressão. O que é afinal o masculino, o feminino, o que não é binário em mim e para mim? Todas estas questões se levantaram em mim e eu continuo a sentir que o que eu escolho usar não têm género. Ou melhor, que os meios não têm género, não reside na cor, no material, no corte, na maquilhagem, nos sapatos… A expressão de género realmente reside na forma como assumimos as coisas (na minha singela opinião).

Explicando melhor, a maquilhagem não me usa a mim, eu uso a maquilhagem, logo sou eu que “imprimo” nela uma pegada vibracional e intencional para que expresse o que me vai na alma.

Regressando à evolução pessoal e espiritual, quando mais singulares somos com o nosso verdadeiro sentir, quanto mais honestos somos com as escolhas do dia-a-dia, mais próximos estaremos de ser únicos e de atingirmos um nível de confiança estrutural incrível. Por isso brinquem e experimentem muito convosco, pois isso é a chave para conseguirmos compreender o que faz realmente sentido para cada um de vós.

Não tenham medo de arriscar com o vosso próprio corpo.

Anita descobre a valorização

Anita descobre a valorização

O valor que atribuímos ao nosso ser está intimamente ligado à imagem que temos de nós, à forma como imaginamos o nosso futuro e como pensamos sobre as nossas ferramentas inatas. Ainda que tudo isto seja pessoal e interior há muitas mensagens externas que nos dão um bom empurrão para esta observação.

Quando foi a última vez que alguém disse que fazias algo muito bem? Que algo era inato em ti? Que simplesmente tens queda para a coisa?

Estamos todos ligamos na nossa malha social e vamos fazendo “espelho” uns aos outros, de forma a que indiretamente todos recebamos mensagens externas sobre o processo interno.

Será que a Anita sempre teve a capacidade inata de ir ao zoo para salvar o dia?

Quando estamos em piloto automático a resolver as coisas normais da vida é complexo parar para ter um momento de reflexão sobre o que estamos a fazer bem. Por isso acredito que a Anita quando foi ao zoo, não estava a pensar como é fantástica a explorar novos locais e sempre atenta a tudo e a todos, pronta para salvar o dia. É preciso uma ajudinha da audiência! Há sempre um Robin para o nosso Batman. Quem chega e diz “bolas, fazes isto aqui mesmo bem!”. Porque as nossas capacidades mais inatas muitas vezes são as que mais dificuldade temos em valorizar e observar, precisamente por fluírem através das nossas ações de forma tão natural que nem lhes damos importância.

Vamos falar de valorização em esforço?

Pois é, ainda estamos com muitas gerações de esforço, sangue e suor para conseguir coisas e uma capacidade inata e indolor é imediatamente colocada no lixo porque “não custou nada, logo não vale nada”. Mas como seria uma sociedade se cultiva e enaltece as capacidades que todos nós fazemos com uma perna às costas, uma carica no olho e uma vassoura no c… ? Que sociedade diferente seria esta! Sem o peso de que o inato é inglório.

Nos últimos tempos têm existido grandes desafios, não estamos propriamente a passear no zoo mas certamente muita gente está a passear na selva astral! Os grandes movimentos sociais e globais continuam a moldar o nosso dia-a-dia e a moldar de certa forma os tempos vindouros.

Mas nem tudo é um desafio intenso e global, há desafios pessoais e simples de resolver onde, certamente, passas com sucesso e há por ai um “Robin” para te dizer “uau, eu não conseguiria resolver como tu”. Tens ouvido esse eco da audiência? Às vezes passa ao lado mas tenho a certeza que ando por aí.

Ouve com carinho os comentários, compreende como eles podem ressoar dentro de ti. Certamente que há ouro nestes comentários. Muitas vezes são capacidades que não andamos a observar.

O contrário é possível?

Claro! Às vezes também é através da audiência que recebemos aquele “estás mesmo com ar cansado, isto está a desgastar-te” para te chamar a por os pés ao caminho. Certamente estarás a insistir numa coisa que te drena constantemente.

Atenção que o processo de valorização não passa pelo outro, continua pessoal, mas as mensagens externas são as estrelas que te podem guiar à noite. Aproveita bem este céu estrelado. Os outros apenas ajudam a fazer com que prestes atenção, depois farás o teu caminho da real valorização.

Navega esse caminho com carinho pelas ligações aos outros.

Temos que ser fortes?

Temos que ser fortes?

De tempos em tempos há movimentos na sociedade que nos fazem ter atitudes ou decisões semelhantes, apesar de aplicadas à vida de cada um de nós. Esta é uma dança lindíssima que me faz receber mensagens comuns, aplicáveis a várias pessoas num momento específico.

Recentemente reparei que esteve a acontecer uma exaltação “da força”. Não, não estou a falar de StarWars, mas sim de um constante reforço de que “preciso ser forte para isto” ou ” vou ser forte para ultrapassar isto“. O problema não está na força mas sim na forma como está a ser aplicada.

Praticamente todos os casos com que me cruzei tinham algo semelhante, eram casos de resignação e resistência e não de força realmente. Eram casos onde “ser forte” era o sinónimo de “aguentar” ou “sobreviver” simplesmente. A nossa força interior é impulsionadora, deve ser o que nos inspira a avançar, a encontrar soluções e a fazer mudanças, ter força não deveria ser para aguentar de forma submissa o que nos acontece.

Claro que num momento de maior dificuldade precisamos de força, mas uma força que coloca soluções em cima da mesa e arranja as melhores formas de viver o momento mais desafiante. A força é esse fogo interno que nos permite correr até à meta final, mesmo quando parece que estamos quase a perder a corrida.

Quando a vida nos desafia também precisamos de muita resistência e capacidade de aguentar situações pesadas, é perfeitamente válido, só não lhe chamem força. Quando acreditarem que ser forte é aguentar, como vão depois ter força para arrancar com os vossos projetos pessoais? Os projetos e mudanças não nascem por “aguentar” seja o que for.

Até posso acrescentar que em momentos onde a vida me pediu muita resistência e aceitação aquilo que me alimentou foi ter alimentado a minha força interna com outras coisas paralelas que estavam a acontecer também. Alimentar a nossa força em tempos complicados é alimentar as nossas paixões, os locais e hábitos que nos deixam de coração cheio, precisamente para ter força interior e a mente clara para tomar as decisões mais acertadas.

Resgata essa verdadeira força pessoal sem te resignares a aguentar seja o que for, sem confundir força com resiliência aos desafios.

A história de uma estrela

Um dia, numa aula de astrologia, fizeram a seguinte analogia que guardei para a vida! Uma estrela quando está no auge do seu brilho está pequena e extremamente comprimida sobre o seu centro, gerando uma energia imensa que a faz brilhar intensamente. Quando as estrelas começam a expandir o seu tamanho, chegando a “engolir” planetas ao seu redor, é quando a estrela perde o seu brilho e a sua energia.

A analogia é que quanto mais centrado sobre o teu núcleo estiveres, mais brilharás e iluminarás todos os que te rodeiam. Quando tentamos tocar todos os corpos à nossa volta perdemos o centro e o brilho que poderia inspirar outros à nossa volta.

Algumas dicas

A prática de meditação ou de momentos de auto-observação como um hábito constante ajuda-nos a não esquecer a nossa força. É por isso que já criei e disponibilizei cadernos, diários lunares, diários de 21 dias e tantas outras ferramentas para partilhar o que faz tanto sentido para mim.

Quando a segurança destrói a essência

Quando a segurança destrói a essência

Contexto

Há locais que fazem despertar memórias de vidas passadas, experiências profundas que trazem consigo memórias carregadas de aprendizagens. Algumas vezes “caiu” sem planear nestes locais outras vezes existe um chamado para ativar determinadas memórias. Neste caso a história que vos conto foi acedida na igreja de São Domingos, em Lisboa. Afamada igreja, conhecida por pegar fogo sempre que é reconstruida.

Já há alguns meses que me andavam a empurrar para lá passar, mas não estava preparado para a avalanche de mensagens e por isso dei sempre com o nariz na porta. Há uns dias, a fazer tempo para um evento, reparei que estava aberta e foi quando toda esta visualização chegou até mim. Partilho convosco algumas das mensagens que me foram passadas, desta vida passada mas que ainda encontra pontos comuns com as presentes que vivemos.

Mensagem da igreja de São Domingos

Choravas intensamente, quase que me atrevo a dizer que choravas pelos dois, por tudo aquilo que eu não fui capaz de chorar naquele momento. Ouvi mais do que simplesmente o teu choro e dor, ouvi também os gritos e as palavras de ódio da plateia onde eu próprio estava. Uma plateia segura, uma plateia que me matou por dentro.

Hoje tenho um novo nome, um nome que é símbolo de liberdade mas também símbolo de um preço demasiado elevado a pagar. Decidi mudar, tomei a decisão com base em medo e opressão, não foi uma escolha simples mas no momento parecia o mais seguro a fazer. Abandonar a nossa herança é mais do que mandar fora uns conceitos e dias festivos, é assumir que gerações inteiras morrem ali, naquele mesmo momento connosco. Fugi para uma cidade banhada de luz, onde pensei que poderia ser possível viver a paz e integração. Com fama de acolher povos de todos os quadrantes. Mas foi sol de pouca dura, rapidamente as ameaças tornaram-se mais constantes e o medo começava a oprimir os meus para as ruas e becos mais escuros da cidade.

Chegou o momento de sobreviver renegando tudo o que aquilo que me tornava a pessoa que era. Não mudei apenas o meu nome, matei os ancestrais e trai a minha própria alma. Cego, acreditei que estava a trair-me apenas a mim, que não te levaria comigo para um lugar negro de dor, assumi que a minha segurança seria também a tua.

Agora, mudado, não posso mais regressar ao beco onde vives, eles vão perceber que a mudança é falsa! Preciso perpetuar a mentira de viver seguro enquanto apunhalo todas as minhas crenças.

Não queria aqui estar, só queria estar vivo, mas agora que aqui estou penso que preferia ter ido contigo, porque enquanto o teu corpo se torcia de dor o meu coração morria de forma agoniante. O meu novo nome deu-me o pesado privilegio de estar na fila da frente quando o cortejo de corpos odiados passava. Arrastavam-te pela rua com o teu nome original associado a palavras de ódio e repudio. Junto do meu ombro houve homens que te cuspiam e eu só podia estar ali, a morrer por dentro. Eu cuspi a minha própria alma em praça pública. A assumir uma escolha segura, escolhi a morte mais lenta e dolorosa.

Compreendi ali a dura lição do que realmente pode custar escolher a segurança em função da nossa essência. A escolha segura pode ser dolorosa e pode destruir o teu coração.

Não houve mais nada que salvasse a minha alma depois daquele dia em plena praça pública, a assistir à morte de tantos que me eram queridos. Na plateia deixei morrer a herança, a história e a magia da minha individualidade.

Não deixei chacinar novamente tanta informação, irei manter viva a chama da essência única no meio do nosso coletivo.

Ao perdão de todos os que se converteram. Por todos os que nunca negação as suas heranças.

Canalização de vidas passadas na igreja de são domingos de lisboa
O que faço quando não-faço?

O que faço quando não-faço?

Nunca ninguém me explicou o que estamos a fazer quando “não estamos a fazer”. O mundo vibrou sempre ao meu redor de forma a reforçar que “parar é morrer” e que é preciso continuar a criar, a trabalhar, a viver em esforço para sobreviver. A culpa não é do mundo, fui eu que atraí para mim este padrão e permiti que ele vibrasse aqui dentro.

Sabia que quando havia sangue e suor havia lucro e louros! Mas nunca soube reconhecer as virtudes de parar, sem morrer.

Durante muitos anos o tarot ou a astrologia dizia-me ao ouvido “precisas abrandar, aprender a serenar”, mas era complicado compreender os benefícios. Treinei a meditação e as práticas de viver mais o presente, mas durante um tempo foram apenas a desculpa de que já estaria alinhado, sem realmente entender o que estava a acontecer dentro de mim.

Conto esta breve história porque acredito que não estou sozinho nesta descoberta, a sociedade ainda continua a premiar os que derramam sangue e suor pelas causas, sem explicar que há muito a ganhar quando paramos. Quando foi a última vez que paraste para apenas existir?

Ainda hoje, mesmo com uma consciência diferente de mim, compreendo que quando estou calmo e relaxado tenho a tendência para pensar no trabalho, é um escape que sabe bem, uma falsa segurança de não estar a desperdiçar tempo. Com o passar dos anos descobri que ganhamos tempo quando perdemos tempo a olhar para algo. Quem disse que “perco tempo” quando descanso? Ganho tanto em descansar! Mas é um ganho subtil, a longo prazo, menos fácil de mensurar na prática e por isso torna-se um ganho mais abstrato. Todos sabemos que o abstrato poucas vezes ganhou a batalha contra o concreto.

Precisamos de reaprender a parar. No tempo “perdido” é onde podemos encontrar o sentido das nossas pontas soltas. Precisamos desse silêncio para trazer consciência à rapidez do quotidiano. Só quando paramos é que é possível dar um passo atrás dos desafios e repensar soluções. A audácia não é ganha no impulso e na rapidez, a audácia ganha-se na segurança interna que permite uma velocidade controlada e estável no futuro.

Nada disto é algo que se ensine de forma fácil, pois temos muitos anos e gerações de rapidez e produtividade sobre nós. Mas é possível reverter esta situação e começar a gerar um pensamento diferente. Aos poucos, temos sido empurrados a viver e experimentar esta forma de estar, seja por existirem mais pessoas que servem como referência, pandemias que nos colocam limites ou ainda o facto de existir um crescendo de terapeutas e terapias no nosso dia-a-dia. Estamos a ser empurrados a silenciar e acalmar.

Quando falamos em meditação e em viver o presente, ainda falamos como sendo algo pontual no meio de um dia corrido. Na realidade é o dia corrido que devia absorver mais uma postura calma, a um ritmo natural e individual, assim como uma rotina de bem-estar em vez de uma rotina de esforço.

Permite-te parar e sentir apenas. Permite que o momento de bem-estar seja valorizado e não seja apenas uma forma de escapismo.

Respira apenas, descansa apenas, existe apenas.

Cadernos: Criar e Nutrir

Cadernos: Criar e Nutrir

É com o coração gigante e cheio de carinho que partilho convosco este pequeno projeto, cheio de alma!

Eu sou amante de colecionar blocos de notas e diários gráficos. A Virgem no meu mapa natal adora materializar pensamentos e imagens em papel, mas também porque tenho uma paixão pelo objeto em si. Não foi estranho que na minha primeira tentativa de criar um produto físico para venda tivesse como primeira opção um diário gráfico, caderno de notas!

Um diário gráfico para mim é um companheiro de viagens. Uns acompanham-me ao longo de projetos específicos, funcionando como pequenas incubadoras de ideias. Outros funcionam como viagens aleatórias, onde começo a rabiscar, paro, meses depois volto a eles, são voláteis e anárquicos. Estes blocos têm essa versatilidade que a minha mente precisa para se estruturar!

Nunca desisto de um bloco nem o mando fora, porque é precisamente um repositório de pensamentos e revela um trajeto. Com eles é possível olhar para trás e analisar de onde venho e para onde vou. Num tempo tão digital, para mim este “histórico de navegação” continua a ser importante para mim.

A folha em branco…

O começo continua a assustar, no pontapé de saída ficamos todos com um frio na barriga! Sempre me treinei para lidar com este frio na barriga, mas a verdadeira viagem começa quando começo a entender que tenho a função e ferramentas de apoiar esse movimento também nos outros. Com o passar dos anos e o meu trabalho interno, entendi que ganhei ferramentas para ajudar a iniciar, criar, impulsionar. Hoje é um prazer enorme ajudar outros neste impulso.

Estes cadernos são um reflexo disto. Reflexo de uma paixão e ao mesmo tempo de uma extensão, um prolongamento da minha energia de apoio.

Criar, é uma ilustração mágica que surge de rompante na minha vida, bem no princípio de ter começado a assumir os meus traços publicamente. Chega, por esse motivo, com uma energia de “vai. És capaz!”. Foi uma energia angélica que me foi transmitida para apoiar o meu próprio impulso, que acompanhou a divulgação da minha arte e que gerou outras novas obras com novos materiais! Neste momento pode acompanhar o teu impulso criador, esta energia ativa e criadora.

Nutrir, é uma ilustração recetiva. Surge numa fase completamente diferente, muito mais recente, num período de real integração das várias partes do meu ser. É uma figura de nutrição, de dar vitalidade aos projetos existentes. Surge para mim numa fase em que sinto que já existe uma base ao meu redor e neste momento é necessário regar o solo onde todas as sementes estão a crescer, para que frutifiquem mais tarde. Esta energia pode caminhar contigo, nutrindo os teus projetos e ideias.

Encomenda e usufrui estas duas inspirações na tua vida!

Entra em contacto comigo através de contacto direto por telefone ou e-mail, andre@atlasdoser.com, para encomendares o teu caderno inspiracional. O valor deles é de 15,00€ (acresce portes de envio se necessário). Poderei entregar em mão na zona de Lisboa, Amadora ou Oeiras.

A tiragem é muito limitada por isso todos os cadernos estão numerados. Qual sentes que vibra contigo?

Viver o Masculino e o Feminino

Viver o Masculino e o Feminino

Há vida em Marte para lá da ação?

Claro que há! hehe. Esta ideia de que uma vibração masculina, “marciana” (regida por Marte), é apenas revelada pela ação e pelo impulso é algo muito ultrapassado. Esta vibração está presente em cada um de nós e revela-se no nosso movimento, na forma como o instinto nos guia. O Masculino é uma força impulsionadora e criadora, as vezes bruta e destruidora mas sempre na ótica de quebrar para depois atingir algo novo e diferente. Quando esta energia está bem direcionada e gerida pode ser usada a teu favor, podes criar vida, projetos e novos rumos. É uma energia que me é muito familiar pois tenho muitos planetas em fogo e este fogo interno masculino é muito presente na minha vida.

Contudo, há um lado sombra, como em tudo. O masculino reprimido acaba por se anular face à presença do outro, quando a direção que os outros tomam é mais importante que a minha própria direção. Podemos perder força vital, vontade, garra sobre as nossas decisões! Qualquer pessoa tem esta vibração consigo, temos que saber canalizar da melhor forma esta energia de impulso.

Assumir o feminino é ser passivo?

Há muito para lá da passividade no feminino! Esta ideia errada de que o feminino é apenas a passividade face às situações não faz sentido. A vibração feminina está contigo no cuidado, na nutrição do que existe, na gestão cuidada dos processos emocionais. Esta é uma vibração que dá força a longo prazo aos projetos, ideias e aos que nos rodeiam. Sem esquecer um movimento importantíssimo, o receber! Saberes receber é algo profundamente feminino, saber estar recetivo ao que nos dão, à ajuda e ao que a própria natureza nos dá.

Estar recetivo pode ser também ser vulnerável. Sermos capazes de dizer “preciso de ajuda”. É algo que todos nós precisamos de ter e algo que a força (excessiva) masculina em nós nem sempre nos permite ter, pois esta é a força e a superação. Permitam-se a pedir ajuda, a dizer que é bom ter um braço direito convosco naquela situação.

Que casamento interno devemos criar?

Todos temos aspetos destas duas vibrações, masculinas e femininas. Todos precisamos reconhecer em que áreas as temos mais ativas ou mais na sombra para que vivamos conscientes delas. É preciso honrar cada uma delas connosco como um fogo e água primordiais que vibram dentro de nós.

É importante criarmos um verdadeiro casamento interno destas vibrações, para compreender onde elas ganham ou perdem espaço na nossa vida. Recentemente um “pop quiz” simples no meu instagram, foi curioso analisar como a maior parte das pessoas até estava equilibrada numa série de fatores masculinos e femininos, menos numa questão. O “dar e receber” foi a pergunta com respostas mais abismais. O fosso mostrou que existem muito mais pessoas com capacidade para dar, mas com imensa dificuldade em receber. Este é um ponto crucial na nossa interação humana, é bom que consigamos ter consciência dele.

sagrado masculino feminino
02/02/22 momento portal 22/02/22

02/02/22 momento portal 22/02/22

Quem me segue conhece que sou uma pessoa que se rege por intuição e sobretudo pelos ciclos lunares e solares, porque acredito que se o calendário gregoriano está desajustado dos ciclos naturais, por sua vez, os momentos portal também estão com algum tipo de desfasamento. Ainda assim, partilho convosco esta minha sensibilidade face a estes próximos dias, por acreditar que realmente existe um movimento global e sincronizado.

Um empurrão

Existem movimentos nos céus e na malha energética global que nos estão a empurrar a uma resolução e uma maior abertura de alma. Seguindo esta sequência é possível compreender melhor a energia destes dois portais, dia 02 de fevereiro e dia 22 de fevereiro, assim como o período de ajuste e calibração que existirá entre eles.

Mas podem perguntar, “André, se não te guias pela data gregoriana, porquê dar importância a estes dias?

É um facto que existe este certo desfasamento, mas os números vibram no nosso dia-a-dia e criam ecos, quanto mais pessoas firmarem estes números maior eco vão criar ao seu redor. Assim vai sendo gerado um portal real através do reforço da intenção individual e global sobre as datas. É quase como dizer que a energia está presente na escrita e na vocalização, sendo que sempre que reformamos esta vibração vamos todos abrindo espaço a amplificar este eco. Quantas pessoas hoje em dia já procuram, pesquisam e partilham este tipo de portais e momentos de maior conexão? Está cada vez mais presente na nossa vida.

Mas voltando à energia 2!

O 2 é uma energia de ligação ao próximo, de emoção, uma energia que cria pontes, normalmente muito associada ao amor mas vai muito além da união amorosa. O 2 aproxima a nossa existência da existência do próximo e por isso vamos ter um período de aproximação de pessoas chave na nossa vida! É importante reforçar que este eco pode e deve ser utilizado para resolver questões kármicas ou simplesmente situações antigas pendentes pois a proximidade e empatia são vibrar de forma mais intensa. Caso sintas que tens assuntos pendentes este poderá ser o momento ideal para os resolver!

Estas pontes criadas em amor e empatia vão abrir possibilidades infinitas para a tua expansão pessoal e desenvolvimento através da relação. Relembra-te que o teu objetivo, os teus projetos, a tua sabedoria torna-se prática e concretizada quando é possível de passar para o próximo, usada em benefício de todos os que podem aproveitar este conhecimento único. Este momento não só vai validar as tuas ferramentas internas como vai abrir portas para que este conhecimento passe à partilha e à ação com os outros.

Falamos também de um momento de fé.

Já falei de abertura emocional, relacionar e até prática, mas também é necessário relembrar que o trabalho empático criado pela vibração 2 tem uma grande nota de rodapé que fala sobre intuição e fé. É o primeiro número que se liga à outra pessoa com quem partilhamos um momento presente, abrindo as portas do coração e da intuição para com quem nos rodeia. Não será demais reparar como é que a nossa intuição vai pulsar nos próximos dias, ela vai falar bastante connosco e poderá ser uma chave importante nas tomadas de decisão.

Também será um momento de fé. Falamos de amor, abertura e relação e tudo isto vais levarmos a movimentos de fé. Poderá ser fé numa pessoa, num projeto, na nossa cidade ou no planeta! Vale tudo. Principalmente não te esqueças que ter fé em algo externo abre o trabalho de fé interna. Para confiar e entregarmos o nosso coração, vamos primeiro trabalhar a nossa confiança e fé pessoais.

Trabalhos de casa!

Liga-te à tua essência. Este é o momento de escutares a tua intuição sobre ti, o teu caminho e sobre as pontes que estás ou poderás vir a criar. Este é o momento de agir com base na fé e na confiança de quem te rodeia. Caso estejas a sentir a necessidade de mudar algo na tua vida, ouve o teu coração, ele vai orientar o teu caminho. Caso estejas confortável onde estás, compreende como podes estar ainda mais ligado à tua malha de pessoas importantes, abre espaço a essa reflexão. Ativa conscientemente os teus dons e ferramentas inatos, a tua sabedoria interna.

Vive e sente estes próximos dias da forma mais natural para ti, não te forces a algo que não é a tua essência e sorri! Sorri muito! 🙂

Portal 2/2/22 22/2/22
A festa da primavera, do fogo e da vida

A festa da primavera, do fogo e da vida

Está a chegar a época do despertar, quando a natureza norte começa a mostrar a força que reservou ao longo do inverno. Consegues sentir?

Imbolc e Novo Ano Lunar, ano do Tigre!

Acho sempre fantástico quando se conseguem aproximar e traçar pontos tão semelhantes entre culturas e a celebração conjunta do Imbolc e do novo ano lunar (novo ano chinês) é maravilhosa. Nunca senti o novo ano na passagem de dezembro para janeiro, nunca entendi porquê mas mesmo sem saber nada de lunações, nunca me pareceu acertado. Esta ainda não é a chegada derradeira da primavera, mas é a premonição de que ela está próxima! Talvez por isso este momento “cheire” a novo ano, porque vem carregado de que há fé nos tempos que se avizinham. Mais do que um momento para celebrar a sementeira, este é o momento de acreditar que a vamos chegar a colher.

Ano do Tigre.

Não tenho um entendimento muito profundo da cultura chinesa e dos seus arquétipos, mas de certa forma todos os seus arquétipos me parecem sempre familiares e simples de compreender e relacionar com a natureza envolvente.

O Tigre é um animal de coragem e força mas também um animal que “exorciza” os males! Achei esta imagem do exorcismo perfeita para o tigre, pois tenho a ideia clara de um animal imponente, que consegue ameaçar apenas com o olhar as suas presas. Há uma segurança intimidadora latente neste animal. É essa a força que precisamos ter este ano? Talvez seja.

Vejo que podemos ganhar e aprender muito ao treinarmos a nossa força para que ela seja “intimidadora”, sem necessidade de ação. Para que nos consigamos rodear do que queremos sem precisar de gritar, implorar ou “bater” para lá chegar. Vivemos tempos em que muita gente diz muita coisa, muitas vezes oposta e por isso é necessário uma postura de silêncio ativo, silêncio que se move na floresta.

O que pode significar tudo isto para o meu desenvolvimento pessoal?

Vivemos tempos de mudanças políticas, sociais e até espirituais. Esta postura de tigre, observador e atento, que mesmo que pareça ter a guarda baixa continua imponente e a transparecer força pode ser o segredo para o ano. Depois de uns anos de muitos abanões, está na altura de resgatar esta estabilidade felina, a fé de que não faltará a força para espantar (ou exorcizar) os males da vida.

Tem um excelente ano, cheio de sonhos e surpresas! Vive cada momento em consciência de ti mesmo/a.

Imbolc e Novo Ano Lunar, ano do Tigre!